Sustentabilidade e empreendedorismo: quebrando paradigmas

Hoje a reflexão parte do princípio de que estamos desconectados com a natureza. A sustentabilidade tem relação com a manutenção da vida humana no planeta. Digo que estamos desconectados porque vivemos em um mundo ainda com tantas desigualdades sociais e falta de cuidado com o planeta. Muitas pessoas que se dedicam ao empreendedorismo não levam em conta a sustentabilidade em suas condutas. Parece que a racionalidade humana deixou as pessoas distantes do que as constitui. Vivemos em um turbilhão de fragmentações: eu e os outros, eu e o planeta, eu…, eu… e mais eu.

Pensar que sustentabilidade tem a ver com a manutenção da vida no planeta requer a quebra de paradigmas. O comportamento do ser humano levou a humanidade à destruição, à morte, às guerras, às desigualdades e ao pensamento individualista. Nossa falta de conexão com a natureza e com o pensar sustentável, levou mais crianças a citarem tipos de Pokémons a nomearem as principais espécies de animais existentes no planeta terra.

Curiosamente, com este distanciamento da natureza, há um distanciamento de si, ou seja, cada vez mais estamos mais racionais e menos sintonizados com o nosso sistema biológico. Distanciar-se do que nos torna mais vivo é o que acontece na maioria das sociedades e isso contribui para que o ser humano se distancie da sua própria essência.

Dessa forma, o pensar racional que não considera as diversas dimensões humanas nos afasta do conceito da sustentabilidade . A sustentabilidade inicia com o olhar interno, identificando o tipo de mindset que temos frente ao mundo. É interessante, que observando a humanidade, ao longo do tempo, as pessoas amadureceram, cresceram, evoluíram, desconectaram-se e adoeceram.

Estamos em um momento que necessitamos fazer a jornada de cura interna para que nossas ações empreendedoras estejam conectadas com a sustentabilidade.

Perceber que o pensar sustentável no empreendedorismo inicia, dessa forma, com a jornada interna, do empreendedor e da empreendedora, na quebra de seus próprios paradigmas. Enquanto não houver conexão com nós mesmos, a sustentabilidade, em nossos projetos e empresa, estará no campo discursivo. A prática da sustentabilidade dentro de nossos negócios é uma consequência das nossas visões de mundo e de nossas atitudes. As ações sustentáveis no empreendedorismo sugerem que essa perspectiva faça parte das estratégias das empresas, assim como estejam incorporadas na cultura organizacional.

Pensar a sustentabilidade como um sistema orgânico, que conecta as pessoas à vida e à resignifição dos nossos posicionamentos, no empreendedorismo, é acreditar que a sustentabilidade relaciona-se com o princípio do equilíbrio que gera qualidade de vida para as pessoas e para todos os que se relacionam com nossas empresas. A sustentabilidade e o empreendedorismo devem estar conectados.

Termino esta reflexão dizendo que a quebra de paradigma para o desenvolvimento sustentável, nos nossos projetos, parte do nosso protagonismo em equilibrar nosso olhar empreendedor, frente ao desenvolvimento socioeconômico, político e cultural ligado à preservação do meio ambiente, no intuito de construir um mundo melhor para todos nós. Desenvolver a sustentabilidade nos leva a satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer as gerações futuras.

O empreendedorismo, a partir dessa reflexão, pode ser aplicado para definir projetos que combinam a geração de riquezas com o desenvolvimento consciente do meio social e ambiental. Pense nisso e ótimos negócios!

#sustentabilidade #empreendedorismo #paradigma #capitalismoconsciente

Eliane Davila

Ph.D em Processos e Manifestações Culturais

Pesquisadora do Empreendedorismo Feminino

Embaixadora Certificada do Capitalismo Consciente

Mentora de Negócios da ABMEN

Presidente da Associação de Administradores do Vale do Sinos – AVS

Dimensão humana nas organizações: reflexões sobre pessoas e empresas

Essa última semana eu fiz um post nas redes sociais que falava sobre a indissociabilidade da pessoa que empreende e do seu empreendimento.

Isso mesmo! No mundo corporativo existe humanidade. Existem sentimentos, afetos e emoções. O que ocorre é que, a maioria dos empresários, não considera todas as dimensões humanas dentro das organizações. É muito incoerente isso: fragmentar o ser humano como se pudéssemos separar a persona profissional da pessoal.

Eu lembro, lá nos anos 90, quando iniciei minha carreira profissional, em um dos primeiros trabalhos que realizei, meu líder me disse: “Eliane, aqui você deve “vestir a camiseta” e seus problemas pessoais devem ficar em casa”. Ouvi essa frase e pensei: como vou realizar essa demanda de me fragmentar em profissional e pessoal? Como eu faço isso?

Essa frase seguiu comigo desafiando minhas crenças e me instigando a repensar sobre os modelos de gestão tão cruéis com os colaboradores. Na verdade, estas reflexões são fundamentais para qualquer empresas ou empresário/a. Não é possível adiar mais esta pauta! É agora!

1.1 Começando a mudar

Lendo o livro Empresas que Curam, de Raj Sisodia & Michael Gelb, me levou a reavivar esta conversa com você, caro/a leitor/a. O livro traz uma série de histórias de empresas que inspiram e que estão tornando possíveis feitos maravilhosos no mundo corporativo. Como já falei em outras reflexões, o protagonismo das instituições é fundamental para vermos as mudanças acontecerem, na prática.

A história do capitalismo não foi a coisa mais linda de se ver. Muitas ações foram realizadas em prol do desenvolvimento econômico e social , mas entendo que, entre tantas coisas, a visão mais humanizada nas organizações ficou negligenciada, trazendo influências marcadas pela violência, imposição, poder, competição e egoísmo.

As influências tóxicas do meio corporativo deixaram marcas e sofrimento nas pessoas”.

O ethos da maioria das instituições mostram empresas que correm muito atrás do lucro e desconsideram as outras relações possíveis dentro desses ambientes. Este é o mundo que você quer deixar para a prosperidade?Qual o legado de sua empresa? Ganhar dinheiro?

1.2 Elevando a consciência

Será que não temos outra maneira de nos relacionar nas organizações? Será que pessoas e organizações não são a mesma coisa? Claro que sim! Não tenha dúvida!

Empresas são pessoas, clientes são pessoas, stakholders são pessoas e a comunidade são pessoas. Esta é a chave para a elevação da consciência. A dimensão humana, por muito tempo esquecida, está retornando, aos poucos, para a relevância necessária dentro das empresas.

Percorrendo algumas literaturas sobre os negócios e lideranças, como comentam Sisódia e Gelb, existem livros que reforçam a sociopatia nos negócios. Uma sociopatia que considera a empresa sem as pessoas. Uma ideologia que torna o ambiente corporativo repleto de competição, guerras de poder e vaidades. Neste tipo de ambiente fica difícil valorizar as pessoas. Falta confiança e respeito mútuos.

Um líder lidera pelo exemplo e não pela força . Essa é a minha perspectiva também. Líderes tomam decisões difíceis, mas as tomam de forma consciente , com benevolência e gentileza em um equilíbrio entre a tenacidade e a sagacidade diz Sisodia e Gelb.

“É preciso entender que é possível promover crescimento nos negócios e servir à sociedade e ao planeta. Isso é recuperar a sanidade no mundo corporativo”.

A elevação da consciência está em acreditar firmemente que se melhorarmos a vida das pessoas que trabalham com a gente e focarmos na busca de melhorias para a nossa comunidade, encontrando soluções sustentáveis, estaremos em sinergia com nossos consumidores, sociedade e funcionários, nosso acionista vai ter resultados consistentes nas nossas empresas.

1.3 Empoderando pessoas

A missão da empresa também deve ser empoderar as pessoas. Essa atitude também as fará gerar lucro!! As empresas devem ter responsabilidade moral com cada indivíduo. Hoje, sabe-se que este posicionamento de gerar riqueza e beneficiar a todos que são impactados pelas nossas organizações. Isso é possível!

Uma liderança realmente humana é medida pela forma como curamos e empoderamos as pessoas. Tudo que acontece no mundo é responsabilidade nossa. Todo o desrespeito com o meio ambiente, com as desigualdades sociais e de gênero originaram-se da lacuna de humanidade cada ser humano.

As organizações podem fazer algo diferente! As empresas podem ser protagonistas de uma transformação social”.

O mesmo olhar que temos para geração de lucros, é o mesmo olhar que precisamos ter com as pessoas. Sabemos que o que precisamos é o equilíbrio. Sabemos que esse olhar para as pessoas reduzirá o sofrimento humano, pois em grande parte das empresas, vemos a doença, o stress e a falta de qualidade de vida.

Empoderar pessoas é construir caminhos possíveis para que ela se desenvolva“.

É pelo trabalho que desenvolvemos nossa identidade e nos tornamos capazes de exercer nossa autonomia em uma perspectiva biosocioantropológica do ser humano.

É hora de favorecer nossa vida e a da vida das pessoas que trabalham com a gente. É hora de acreditar que nossas empresas são pessoas e que elas precisam estar bem para apoiar nosso propósito maior, em uma cultura mais consciente e com líderes mais humanizados. A sociedade, os stakeholders e o nosso planeta precisam de nós, empresas que tornar a transformação mundial possível.

#capitalismoconsciente #pessoas #humano #humanidade #transformação #mudança

Eliane Davila

Ph.D em Processos e Manifestações Culturais

Pesquisadora do Empreendedorismo Feminino

Embaixadora Certificada do Capitalismo Consciente

Mentora de Negócios da ABMEN

Presidente da Associação de Administradores do Vale do Sinos – AVS

O que é Estado de Presença na liderança organizacional?

Começo esta reflexão dizendo que a liderança organizacional é uma das temáticas que vem me acompanhando na minha trajetória profissional desde que iniciei no mundo corporativo e na minha carreira acadêmica.

Sempre gostei de buscar nas lideranças que trabalharam comigo, atitudes e comportamentos que eu pudesse me inspirar. A inspiração é uma forma amorosa de trazer amor. Uma liderança inspiradora precisa ser construída em uma base forte. Precisa estar conectada com o momento presente.

Assim, hoje vamos falar sobre o estado de presença. O que é este conceito e como ele pode ser vinculado às lideranças organizacionais?

Partindo da perspectiva do Livro, Liderança Shakti, o estado de presença é definido como um estado de consciência do momento presente. É um estado de “flow” onde acessamos o equilíbrio, completude, conexão interna e externa com o nosso entorno. É uma interconexão que vai além do nosso mundo, indicando uma ligação com nossa essência interior. Em estado de presença estamos plenos, flexíveis e congruentes.

Estar em estado de presença nos direciona à pensar que as lideranças, estão em plena disponibilidade para seus colaboradores, além disso, o conceito também permeia a ideia que você, como gestor/a, não tem nada a temer, nada a defender e nada a promover. É só você em estado de presença!

Uma das observações mais relevantes para mim, na leitura do Livro Liderança Shakti, foi entender que este estado de presença nos leva à unicidade, ou seja, no estado de presença eu sou eu mesma. Este é o estado natural, onde posso estar alegre porque posso ser o que realmente devo ser no mundo.

Os líderes conscientes são responsáveis por servir ao propósito da organização criando valor para todos os seus stakeholders e cultivando uma Cultura Consciente de confiança e cuidado. Os aspectos relevantes para essa competência incluem a confiança, o equilíbrio e determinação. O cultivo da presença possibilita o desenvolvimento de líderes mais carismáticos, que possuem um magnetismo singular e que possuem influencia sobre os outros. Em estado de presença, o líder encontra clareza e energia em uma linguagem corporal e verbal inspiradora.

As organizações desejam líderes para que tenham o estado de presença desenvolvido. Os líderes devem ser capazes de projetar confiança carismática, mas esta competência deve estar intrinsecamente ligada ao estado de presença.

Posicionamentos genuínos, na liderança organizacional, devem estar conectados com nosso Eu interior. Caso contrário, estaremos usando as máscaras que as influências externas nos disponibilizam para construção de uma persona que não é realmente quem somos.

Dessa forma, o líder deve ser exatamente a pessoa que ele é . Esta é a chave para a construção de lideranças mais conscientes nas organizações.

Percebemos o quão difícil é estar nesse estado de presença. Somos, a cada minuto, chamados a estamos em piloto automático. Realizamos as atividades, conversamos com as pessoas, mas na verdade, não as sentimos e nem as escutamos de forma genuína. A busca pelo estado de presença requer uma vigília constante.

O desenvolvimento do estado de presença requer um cultivo desta vigília e a prática diária do restabelecimento do equilíbrio interior. Uma das práticas mais eficazes para cultivarmos a presença é colocarmos limites adequados às nossas relações. Normalmente, as tendências femininas do ser humano, e aqui lembramos que, não estamos falando de gênero, deixam as pessoas mais abertas aos relacionamentos e com isso, estão mais expostas à dependência. Por isso reforço a importância da vigília constante.

Como um elefante que sempre esteve preso em uma corrente, quando o soltam, a tendência é ficar condicionado a estar no mesmo espaço. Assim, nós humanos, também podemos correr o risco de aceitar que nossas limitações, nossa liberdade e nosso potencial somente existam em nossas mentes. Somente quando estamos realmente presentes é que podemos transcender essas restrições pessoais e ir em busca da felicidade e das realizações que desejamos.

O estado de presença leva você à consciência. Um lugar que não é estático, mas uma dinâmica criativa que cria, preserva, destrói e recria. Nossas chances de acertar, em atitudes e comportamentos, no processo de liderança são muito maiores se estivermos neste estado de consciência pleno.

É preciso honrar quem você verdadeiramente é . É preciso prazer em tudo que se faz. Agir com a alma, este é o chamado do estado de presença a todas as lideranças organizacionais.

#liderança #liderançashakti #liderar #presença #pilares #alma #organização

Eliane Davila

Ph.D em Processos e Manifestações Culturais

Pesquisadora do Empreendedorismo Feminino

Embaixadora Certificada do Capitalismo Consciente

Mentora de Negócios da ABMEN

Presidente da Associação de Administradores do Vale do Sinos – AVS

Elevação da Consciência Empresarial: orientação para stakeholders

Vivemos, todos nós, em uma época diferente. Vivemos em um momento histórico onde se faz um esforço para pensar em reflexão, em ressignificação e em construir um nosso sistema econômico mundial.

A ideia deste pensar nos leva a crer que a jornada do capitalismo até aqui nos trouxe mais problemas do que soluções. Houve um certo descuidado com o ser humano, com a sustentabilidade e com planeta.

É fato que precisamos redesenhar nossas relações empresariais com nossos funcionários, clientes, fornecedores, comunidade e todos aqueles que se relacionam com o nosso negócio.

Outro dia me perguntaram, mas Eliane, como é possível, em meio a uma crise pandêmica, pensar ou ajustar essas relações? Como posso pensar em elevar a consciência empresarial neste momento em que muitas empresas estão apenas sobrevivendo?

Gostaria de comentar que são, nos momentos de crise, que as oportunidades de mudanças surgem. Sabemos que nem todas as pessoas e empresas estão em um nível de consciência semelhante e com isso, posso dizer que mudanças são processuais e exigem um certo tempo de maturação e respeito às pessoas e às organizações. A mudança e a elevação de consciência vão acontecer no tempo de cada ser humano e no momento do despertar empresarial. O meu papel e e todos que queiram elevar a consciência das corporações, é de fornecer subsídios para a redefinição do propósito maior que valorize a ética, o amor e que proporcione maior resiliência às organizações.

O pensamento do acionista deve ir ao encontro de estratégias mais sustentáveis e da longevidade empresarial, com um cunho de responsabilidade social.

As empresas são pessoas e as relações com nossos funcionários devem ser revisitadas diariamente. O nosso cliente é o que proporciona o existir empresarial, gerando receita e mantendo a empresa viva. Assim, um olhar mais atento aos funcionários, automaticamente reflete no melhor atendimento do nosso cliente.

É o momento de pensar em sustentabilidade nos nossos negócios e quando em falo em sustentabilidade, o conceito vai muito além do meio ambiente. As nossas relações no mundo corporativo devem favorecer o desenvolvimento humano, ou seja, o desenvolvimento e a manutenção da vida humana no planeta. Penso que nossas atitudes devem seguir os preceitos de satisfazer as necessidades de hoje e não impactar a geração futura, para que haja realmente a manutenção da vida.

Assim, acredito que reflexões sobre um novo modelo econômico saudável deve permear as dimensões econômicas, sociais e ambientais, culturais territoriais e políticas. Milton Friedman, a mais de meio século, dizia que as empresas deveriam fornecer lucro ao acionista. O conceito por si só não está errado, porém esse conceito não se mostrou muito eficaz, pois não contemplou o olhar sistêmico e sustentável da vida humana. Funcionários, fornecedores, comunidade e o planeta ficam, na maioria dos casos, em segundo plano, o que causou injustiças e escassez de recursos na natureza.

A orientação ao stakeholders como uma possível estratégia de gestão empresarial, requer ações que impactem o meio ambiente, a sociedade e que sejam legitimadas por uma governança corporativa. Estamos vivendo uma “crise de uma humanidade que não consegue se tornar humana, diz Edgar Morin.

Na verdade, este movimento todo que está surgindo, com maior intensidade, neste ano de 2020, sugere um pensar distinto sobre todos nós, como atores responsáveis pela transformação interna de nós mesmo e das empresas às quais pertencemos. É preciso reconectar o humano nesta nova maneira de gerir nossas empresas. É preciso, de fato, elevar a consciência empresarial para a construção de um modelo de capitalismo que desenvolva as pessoas e transforme nossas empresas em espaços de (re)conexão com a vida e com todas as dimensões do ser humano.

Eliane Davila

Ph.D em Processos e Manifestações Culturais

Pesquisadora do Empreendedorismo Feminino

Embaixadora Certificada do Capitalismo Consciente

Mentora de Negócios da ABMEN

Presidente da Associação de Administradores do Vale do Sinos – AVS

A Liderança do “Nós” – Capitalismo Consciente

Quando fiz uma pós graduação sobre gestão de serviços, em 2001, meu professor, Kleber Nóbrega, dizia que o novo líder é uma pessoa que servia ao propósito da empresa e às pessoas que liderava. Eu me desenvolvi nessa escola da cultura do “Nós” à cultura do “Eu”.

Vivi muitas experiências profissionais. Reconheci muitos líderes que tinham essa filosofia na sua liderança. Ao mesmo tempo, durante este período de quase 20 anos, percebi que a maioria das empresas não tomou consciência da diferença que faz um líder ou uma líder com estes posicionamentos voltados ao “servir”.

O movimento do Capitalismo Consciente também valoriza as pessoas e diz não à cultura do “Eu”. Parece fácil falar, mas, na verdade, colocar em prática essa metodologia requer um nível de consciência da liderança organizacional que vai além da performance da empresa.

O propósito maior da empresa é incorporado pela cultura da organização, mas quem coloca este processo dinâmico em sinergia? As pessoas!! Tudo inicia na dimensão relacional nas organizações, afinal, como já havia comentado em outra reflexão: empresas são pessoas.

Assim, muitas lideranças organizacionais se deparam com diversas maneiras de liderar. Estamos em um momento de transição conceitual e estamos reinventando o que seja a verdadeira missão de uma liderança organizacional consciente.

O que deve ficar claro é que a definição de liderança não é mais aquela hierárquica onde encontramos alguém que manda e outro que obedece. A liderança é muito mais ampla e não pressupõe essas relações estruturais dentro das organizações. Liderar é a missão de todos dentro das empresas. Liderar é colocar o nosso protagonismo em ação em prol de um propósito comum.

Encontrei nas minhas visitas às empresas, muitas vezes, um certo êxtase, sobre as questões da tecnologia, Indústria 4.0, Inteligência Artificial, etc. Acredito que a tecnologia é apenas mais um meio para que a sobrevivência da organização. A liderança organizacional deve sim dominar as ferramentas tecnológicas, mas é preciso que novas janelas se abram e novas formas de relacionamentos se concretizem para que a mudança de paradigma aconteça.

A visão de uma liderança consciente perpassa pelo conceito de servir! Sim! Servir às pessoas que se relacionam com nossas empresas, com nossos colaboradores e com a sociedade em que estamos inseridos. O que precisamos saber é que o reflexo de empresas mais conscientes é de lideranças mais conscientes. Dessa forma, penso que você esteja me perguntando sobre quais as competências que necessito ter para construir uma liderança mais consciente na minha empresa?

Não gosto muito de nomear padrões ou arquétipos preestabelecidos, mas algumas sugestões eu posso citar aqui para você no intuito de vivenciar uma liderança mais integral e consciente. Sabe-se que “Liderar envolve criar contextos para que as pessoas ampliem a sua compreensão sobre a realidade, permitindo que elas possam construir um futuro melhor. Liderar é criar novas realidades”. ( JOSEPH JAWORSKI)

Uma das competências que o capitalismo consciente sugere é a autoconsciência. Trata-se de compreender os valores, respeitar os limites com as pessoas, no intuito de cuidar da sua vida e da vida dos outros de forma criativa e não reativa. Outro ponto é a integridade, isto é, lideranças conscientes são atentas às palavras que proferem. Cuidam para que o seu discurso não seja incoerente com sua prática.

A competência da flexibilidade cognitiva pode contribuir para o domínio das próprias emoções e permite lidar com os conflitos com mais resiliência. Além disso, pode-se dizer que é importante que se tenha uma comunicação empática, construindo equipes que se comunicam com clareza em seus posicionamentos verbais e escritos, mantendo relações amistosas e equilibradas.

Uma competência valiosa é a inteligência relacional que traduz a possibilidade de navegar com respeito e compaixão pelos sentimentos pessoais de cada um. Construir relacionamentos de qualidade e de gerar espaços de presença genuína é fundamental para todos os que se aventuram pela liderança consciente.

A criatividade também é indispensável para a resolução de problemas complexos, acolhendo as pessoas e situações de forma empática.Além disso, a influência inspiradora é outra competência fundamental neste momento em que vivemos. A capacidade de liderar pelo exemplo gera profundo engajamento e que conectam as pessoas incentivando-as a serem suas melhores versões.

Saber compartilhar o propósito maior da organização, engajando o time com clareza e assertividade é outra competência fundamental, na minha opinião. Portanto, retomando o início desta reflexão, estamos na era do Servir, de reconhecer limites, de desenvolver as pessoas, congregando o negócio e todos os stakeholders em uma visão ampla e comum.

Liderar é uma arte! Eu sou apaixonada por essa temática e com essa inspiração, eu convido a todos e a todas para refletirem sobre como está o nível de consciência das lideranças em suas organizações. Acredito que estamos a caminho de vivenciar um novo modelo de liderança mais humanizada e que possa, efetivamente, colaborar para um mundo melhor e para a construção de empresas em meio a um novo modelo de capitalismo.

#capitalismoconsciente #liderançaconsciente #propositomaior #culturaconsciente #stakeholders #

Eliane Davila

Ph.D em Processos e Manifestações Culturais

Embaixadora Certificada do Capitalismo Consciente

Mentora de Negócios da ABMEM

Presidente da Associação de Administradores do Vale do Sinos – AVS

Transformar a cultura organizacional em uma potência da empresa. Isso é possível?

Primeiramente, gostaria de comentar que nossas empresas estão em plena transformação. O mundo está mudando e quando se fala em cultura organizacional o jeito de conectar nossos funcionários e shateholders também necessita novos olhares.

Essa “liga” que une as pessoas em um mesmo propósito chama-se Cultura Organizacional. Esse processo que acontece em cada interação com o outro, torna a cultura viva dentro dos espaços organizacionais. Como a autora, Marlene Marchiori, eu acredito muito na existências de várias culturas circulando dentro das organizações, unindo os objetivos pessoas de cada pessoa e o propósito maior neste processo de busca da essência da empresa. A cultura pode gerar longevidade, credibilidade e é o meio de incorporar o propósito maior “nos batimentos cardíacos das organizações”.

Qual empresa não pensa em ter seus funcionários engajados? Qual empresa não quer saber que sua marca é uma das preferidas no mercado? Pois é!! Isso é possível!

A compreensão e incorporação da cultura organizacional, de forma mais profunda, pode influenciar o comportamento dos colaboradores e moldar a imagem corporativa que apresentamos ao público, o que impacta na aceitação e consumo dos nossos produtos e serviços entre outros aspectos.

Além disso, uma cultura do bem, a valorização das pessoas e práticas e estratégias coerente podem elevar o nível de satisfação e bem estar dos funcionários e dos stakeholders. Sabe-se que um ambiente que oportuniza a cura, o amor e o respeito pode elevar o nível de produtividade das organizações.

Outro ponto importante é a questão do engajamento de todas as pessoas em prol do propósito da empresa. Qual empresa não busca ter seus funcionários e parceiros juntos na construção de um objetivo comum? A cultura organizacional é esse elo que pode unir a todos em um bem comum.

Além disso, quando se pensa em construir uma cultura organizacional sólida e do bem, automaticamente teremos maior retenção de profissionais capacitados trabalhando em nossas empresas.

Outro ponto, é a seleção de talentos que também deve estar conectado com a cultura. Existem soluções de mercado,bem interessantes, como por exemplo, a empresa Solucione RH, que criou uma forma de selecionar os talentos das empresas levando em consideração o DNA, a essência da empresas. “Não podemos mais contratar pessoas apenas pelo currículo e uma entrevista padronizada. Afinal, são essas pessoas que vão fazer o seu negócio crescer e prosperar. Com o Solucione RH é possível recrutar e selecionar pessoas através do propósito e da cultura da sua empresa, além de poder criar desafios práticos” ( SOLUCIONE RH, 2020).

A cultura é a base para nossa empresa e agregar mais pessoas e talentos em nossas organizações, isto é, pessoas que se identifiquem com o nosso propósito é fundamental. O mundo mudou e é fundamental que possamos evoluir nas formas de selecionar as pessoas e minimizar o turnover de talentos, aumentando a assertividade na contratação, por meio de comportamentos , valores e atitudes do candidato.

Além dos aspectos que já levantamos nesta reflexão, como todos os benefícios trazidos por uma cultura organizacional positiva e a construção de uma imagem sólida, a cultura é fator essencial para o crescimento estruturado da empresa.

Quando conseguimos incorporar o propósito maior da organização na cultura, criamos grupos mais coesos e que compartilham seus objetivos individuais e constroem juntos o objetivo coletivo da empresa.

Eu percebo um mundo mais humanizado a partir dessa cultura do bem, do cuidado e do respeito às pessoas. Espero que esta reflexão tenha sido positiva para você repensar suas atitudes, seus processos e estratégias empresariais para a construção de um novo modelo organizacional baseado na colaboração, no bem estar e que realizem impactos positivos no mundo.

Eliane Davila

PhD. em Processos e Manifestações Culturais

Embaixadora Certificada do Capitalismo Consciente no Brasil

Empreendedorismo feminino: protagonismo da mulher no mundo contemporâneo

Ser empreendedor/a significa ser um/a realizador/a, que produz novas ideias através da congruência entre criatividade e imaginação.” diz o SEBRAE. Mas o empreendedorismo feminino vai além dessa afirmativa, sinalizando uma quebra de paradigmas quanto à capacidade de liderança da mulher.

Penso também que empreender não é somente ter uma empresa, mas lançar-se ao novo, às descobertas e a buscar seus sonhos, potencializando o que cada um tem de melhor. Fico sensibilizada quando ainda vejo mulheres que sofrem abusos de todos os tipos. Fico preocupada em ver que, ainda no século XXI, as lacunas de gêneros são, muitas vezes, pautas discursivas nas corporações, mas nas pautas estratégicas, elas ainda estão muito distantes de serem executadas.

O empreendedorismo feminino tem minha paixão pela possibilidade que dá, à mulher, uma alternativa de viver o sonho da liberdade. A tão sonhada possibilidade de poder escolher a vida que quer levar.

Vivemos em um modelo patriarcal que deixou a todos intoxicados pelo exagero das forças masculinas em nós. Tanto homens, como mulheres, sofrem a consequência de um desequilíbrio interior que deixou marcas nas pessoas, na sociedade e no planeta.

Na minha trajetória de vida, encontrei muitas mulheres, muitas singularidades e muitas narrativas difíceis de compreender. Confesso que ainda existe, uma percepção do papel da mulher na sociedade, muito “limitada”. Parece que algumas empresas deixam suas crenças de um mundo mais inclusivo apenas no nível discursivo. As ações corporativas de inclusão da mulher nos espaços de trabalho não são incorporadas pela cultura da empresa e nem estão conectadas com as estratégias da organização.

A sensação que eu tenho é que as empreendedoras, muitas vezes, saem de seus mundos corporativos, muito pela falta de empatia dos líderes da organização em acolhê-las em suas reais necessidades.

Empreender não é a salvação para as mulheres, mas é, talvez, uma das formas para sua autonomia. Cabe lembrar que o glamour de uma vida empreendedora não tem nada a ver com o que passam na mídia. O esforço pessoal é dobrado. Seu projeto é seu filho/a. Você vai ter que amá-lo e estar presente o tempo todo, principalmente, nas fases iniciais do projeto. Os projetos exigem da gente este afeto. Em contrapartida, podemos decidir e administrar o nosso tempo.

A mulher, na contemporaneidade, ainda sofre no mercado de trabalho com as diferenças salariais, com a falta de oportunidades, com o assédio, com a jornada tripla e com o famoso teto de vidro, isto é, a impossibilidade da mulher chegar às altas lideranças. Além disso, com a pandemia, as lacunas de gênero no mundo corporativo, vão se evidenciar ainda mais.

O empreendedorismo feminino auxilia na construção de uma sociedade mais sustentável originando oportunidades de liderança para as mulheres. Embora elas correspondam a 52% da população do Brasil, só ocupam posições de de liderança em 13% das 500 maiores empresas no país.

Criar seu próprio projeto é empoderar-se. É construir uma história de protagonismo e transformar cenários, mudando a vida das mulheres e das pessoas que vivem ao seu entorno. Mulheres empreendedoras são fundamentais para que ocorram as mudanças sociais que queremos ver no mundo. A presença feminina ainda contribuir para a inovação dos projetos, pois elas vêm com uma maneira própria de realizar negócios e de servir ao mundo.

Além disso, incentivar o empreendedorismo feminino faz com que nossa economia cresça. Não são poucos os exemplos de mulheres que se destacaram com seus projetos, gerando renda e empregos locais, fazendo crescer a economia de sua cidade e país.

Termino esta reflexão dizendo que o empreendedorismo feminino, embora todos os desafios que existam na sociedade e no mundo corporativo, está trazendo mudanças ao mundo com projetos que impactam socialmente e economicamente nosso país.

Posso dizer que o movimento do Capitalismo Consciente também está associado a busca de maior diversidade e inovação nas empresas e o movimento empreendedor feminino é um dos caminhos para que possamos valorizar as pessoas e buscar a diversidade e inovação que tanto queremos vivenciar neste século.

Valorize os projetos femininos! Compre, divulgue e invista em negócios gerenciados por mulheres. O protagonismo feminino é uma das formas para que possamos diminuir a diversidade de gênero no mundo.

Eliane Davila dos Santos

Embaixadora Certificada do Movimento Capitalismo Consciente no Brasil

PhD em Processos e Manifestações Culturais

Pesquisadora do Empreendedorismo Feminino

O despertar de uma nova empresa: uma proposta do Capitalismo Consciente

Fiquei pensando sobre como iniciar este diálogo com você.  Fiquei pensando em como encontrar as melhores palavras, as melhores abordagens para inspirar você a olhar o mundo de maneira diferente.

O mundo mudou!

Nós mudamos nossas percepções e nossas maneiras de agir. Complexidades, incertezas e a impossibilidade de realizarmos planejamentos a longo prazo, impactaram nossa maneira de compreender e a entender a economia mundial.

Penso que hoje a sociedade está mais atenta às atitudes das empresas e como elas se relacionam com toda as pessoas que se relacionam com seu negócio.

A perspectiva mais humanizada de uma nova economia passa por um novo jeito de se relacionar no mundo. A jornada das empresas nessa economia mais conscientizada com o próximo, com a sustentabilidade e com seus clientes, colaboradores e fornecedores está mudando. A mentalidade do Capitalismo Consciente está chegando às empresas de forma prática.

As lideranças organizacionais, que se preocupam com as pessoas, permitem um fluxo de interação empresarial que traz transparência, confiança e pertencimento. Uma cultura que deixa fluir o propósito maior do negócio, incorporando todas as crenças e valores que vão muito além do lucro, vão construindo as novas premissas econômicas da atualidade. Não há mais espaço para empresas que apenas querem ganhar dinheiro. Isso me leva a crer em uma economia que realmente faça conexões profundas entre todos os stakeholders, propondo realmente uma transformação no modo de agir nas organizações. Nessa proposta, a empresa que se relaciona deve tomar decisões alinhadas com esses stakeholders, promovendo um ganha-ganha para todos os envolvidos.

Percebo que a ciência economia, além de analisar a produção, distribuição e consumo de bens e serviços, deve voltar-se às relações em que essas práticas ocorrem nas empresas. As pessoas são a potência de qualquer organização e é, a partir delas, que as transformações ocorrem. O nível de consciência de cada empresa dependerá do nível de consciência que cada organização.

As empresas que superarem o paradigma de apenas ganhar dinheiro, proporcionarão grandes revoluções internas e externas. O que quero dizer é que estas organizações estarão em sinergia com a sociedade e com o planeta. Os clientes e fornecedores perceberão em cada colaborador, o verdadeiro propósito da empresa.  Essa mentalidade trará maior credibilidade às empresas e maior interação social. Penso que as empresas são espaços de desenvolvimento e o trabalho pode ser a chave para mudanças incríveis. A articulação de todas as partes fará total diferença para a construção de um ecossistema voltado ao coletivo, e com isso, as empresas serão também protagonistas de transformações econômicas e sociais, alinhadas às premissas de sustentabilidade, amor e rentabilidade como consequência de tudo isso.

Ajustar a rota, eu diria, é despertar para um novo começo onde veremos as formas de se relacionar com as pessoas e com o planeta serem ressignificadas pelas próprias empresas. A ideia aqui é que este despertar comece primeiro dentro das organizações, buscando incorporar, na prática, as premissas de um trabalho mais humanizado.

Dizer-se ser uma empresa que despertou para o humano é congregar com as competências de autoconsciência,  integridade, flexibilidade cognitiva, comunidade empática, inteligência relacional, criatividade, influência inspiradora, valor compartilhado e  amor por servir.

Venha fazer parte dessa comunidade que está libertando o capitalismo. Nosso papel é reduzir as lacunas da desigualdade que este sistema deixou, durante anos no mundo. Agora é a hora de sermos protagonistas desse despertar para o mundo dos negócios.

#capitalismoconsciente #novaempresa #mudança #mundodosnegocios #proposito #integridade #empatia #pessoas

Eliane Davila

Embaixadora Certificada do Capitalismo Consciente

Presidente da Associação de Administradores do Vale do Sinos

Pesquisadora da ARF Média e da Coffee and Work.

PhD em Processos e Manifestações Culturais

Conhece-te a ti mesmo

O impacto do COVID-19 interrompeu os padrões normais de trabalho, modos de comunicação e dinâmica da equipe. Fragmentações, polarizações e muitas mudanças estão acontecendo. Além disso a crise econômica realmente nos traz desafios, mas as oportunidades estão ai para buscarmos o desenvolvimento, autoconhecimento e superação.

Vejo que o autoconhecimento, para as pessoas e para as instituições, é condição sine qua non quando se fala em gestão de alta performance. Pessoas que possuem autoconhecimento dispõem de maior habilidade de tomar decisões rápidas em situações complexas. O autoconhecimento é um diferencial maravilhoso que deve ser introduzido no mundo dos negócios.

O autoconhecimento permite que você descubra suas qualidades, capacidades, bem como seus pontos que devem ser melhorados. Investir em autoconhecimento é designar esforços para entender a si mesmo em todos os âmbitos. Além disso, se você quiser realmente colocar em prática a filosofia do capitalismo consciente em seus negócios e projetos, a ideia é partir do autoconhecimento para poder compreender, mais profundamente os stakerholders. Clientes, fornecedores, colaboradores, sociedade e planeta são as pessoas impactadas pelo seu negócio e por isso, uma escuta ativa das partes interessadas, contribui para que você possa revolucionar o mundo dos negócios.

O autoconhecimento auxilia no controle das emoções e proporciona um equilíbrio interno , buscando um melhor bem-estar mental no trabalho e nas relações que construimos no dia a dia. Lideres que possuem autoconhecimento dispõem de um resposta mais equilibrada e consciente no trabalho.

O primeiro passo para quem deseja buscar autoconhecimento é olhar para dentro de si e buscar a aceitação de suas limitações e valorizar suas potências. É o exercício da compaixão consigo mesmo. Entender que estamos em uma jornada de descobertas e de aprendizagem na vida.

O passo seguinte é aprender no encontro do outro. É estar preparado para o diálogo, para a colaboração, para a empatia. A escuta ativa é fundamental nesse caso para que possamos compreender o outro na sua plenitude, sem julgamento, com o propósito de promover as trocas de ideias e de perspectivas.

Seguindo a jornada, o próximo passo é expor-se, desafiar-se e deixar-se vulnerável. Quanto mais a vulnerabilidade estiver presente em sua vida, fazendo-o refletir sobre a incompletude do ser humano, mais fácil será a sua conectividade com os outros. Penso que esta perspectiva pode, de alguma maneira criar espaços de cura dentro das organizações.

O autoconhecimento é um convite para expor nossas experiências, nossas dificuldades. É ter a mente aberta para mudanças. Seja a mudança que você quer ver no mundo.

O novo jeito de lidar com nossas instituições , proposto pelo capitalismo consciente, tem origem em uma mudança de hábito em nós mesmos. Tudo começa com a gente! A essência do ser humano, o propósito, nossos valores e crenças estão dentro da gente. Trazer esta pauta do autoconhecimento para as organizações é quebrar barreiras, enxergando o ser humano em todas as nossas dimensões.

Somos seres humanos íntegros em todas as dimensões da vida ! As organizações são pessoas lidando com pessoas. Pense nisso e construa organizações melhores para todos em seu entorno!

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Eliane Davila

Embaixadora Certificada do Capitalismo Consciente no Brasil

O equilíbrio das forças femininas e masculinas no ser humano

Guia de conteúdo:

  1. Introdução
  2. Elementos da liderança Shakti
  3. Elementos práticos na tese de doutorado
  4. Conclusão
  1. Introdução

Iniciar este texto me deixa tão inspirada porque o que vou contar aqui possui relação profunda com minha narrativa de vida a partir dos meus valores e crenças pensando no que seja a potência das formas femininas nos negócios.

Quando defendi minha tese de doutorado, eu não tinha conhecimento sobre a Liderança Shakti, dos autores Nilima Bhat & Raj Sisodia. Meus achados na pesquisa me conduziram para a tese de que as mulheres empreendedoras, sócias de empresas, localizadas dentro do ecossistema empreendedor de Parques Científicos e Tecnológicos, eram propulsoras de transformações socioprofissionais. Elas elevavam a representatividade feminina dentro desses ambientes, por meio das práticas discursivas, a dimensão subjetiva e singular do fazer laboral. Elas eram protagonistas, realçando os preceitos de equidade, na construção de sociedades mais sustentáveis.

Foi uma tese maravilhosa onde pude entrevistar mulheres do Brasil e da Espanha e compreender que estamos em um período de renascimento das empresas e que as forças femininas podem alterar a forma de lidar com o empreendedorismo e de como tornar-se um líder mais consciente nas empresas.

O que eu não sabia era que o modelo apresentado pela Nilima e o Raj poderiam ter sido utilizados para meu embasamento teórico também. A proposta do modelo apresenta a necessidade de um equilíbrio entre as forças femininas e as masculinas. Um mundo começava a fazer sentido.

2. Elementos da Liderança Shakti

A proposta da Liderança Shakti parte da importância de uma maior consciência do ser humano, ou seja, um equilíbrio entre as forças femininas e masculinas dentro si. Parece um tanto complexo pensar em forças femininas e masculinas atuando dentro do ser humano, mas é isso que a liderança Shakti quer mostrar aos líderes, empreendedores , a toda a sociedade e às organizações.

Existem muitos livros que falam sobre a importância de se pensar em liderança nas organizações, mas este modelo Shakti propõe regenerar as organizações e com um jeito mais humanizado de se relacionar consigo, com a sociedade, com o planeta.

Vivemos em um mundo que ainda possui empresas onde as lideranças ainda são muito hierarquizadas e repletas de pessoas que não encontraram seus propósitos de vida e nem possuem orgulho em pertencer aos ambientes que trabalham. O que está faltando? Que tipo de liderança poderia provocar mudanças profundas na maneira de inspirar pessoas a darem o seu melhor nas empresas?

A proposta é entender que o paradigma da escassez deve ficar para traz, isto é, devemos estabelecer pontes que nos aproximam e promovem a revolução na forma de liderar criando sentido nas nossas ações e promovendo o autoconhecimento, o amor e cura nas empresas. Parece muito estranho trazer o autoconhecimento, o amor e cura para dentro das organizações, mas se quisermos desenvolver o ser humano de forma integral e oferecer um ambiente que seja nutrido de aprendizagem, engajamento e bem estar, necessitamos alinhar o que está em desequilíbrio.

A liderança Shakti parte do princípio de Carl G. Jung do feminino (yin) e do masculino (yang). O que significa isso? Significa dizer que cada um de nós possui forças femininas e forças masculinas como potência interior e que o equilíbrio dessas forças pode trazer a tona nossa forma mais humanizada de liderar. A energia feminina, neste caso, independe do gênero da pessoa.

Quando não há integração das forças, pode resultar em uma anima negativa (que poderá reprimir as suas ações, sentimentos e a sexualidade); assim como ao ignorar a sabedoria da sua intuição, bem como um animus negativo poderá tornar o ser humano moralizador, cheio de dogmas e inflexível às opiniões alheias, às vezes, podendo ser agressivo e prisioneiro das suas próprias crenças e julgamentos. Dessa forma, o modelo Shakti revela-se significativo para o exercício da liderança equilibrada, onde a nossa energia é colocada em ação, não em uma proposta que vivencia as forças como polaridades distintas, mas em uma proposta de poder “com” e não um poder “sobre” o outro.

Trabalhar com esta perspectiva holística e de autoconhecimento, faz com que tenhamos que acessar nossas profundezas interiores. Acessar a integralidade e todas as suas dimensões humanas. Com essa perspectiva, observa-se que algumas coisas devem morrer dentro de nós e outras vão renascer. A jornada da liderança Shakti prevê estarmos por inteiro em tudo que realizamos, pois a ação é no aqui e no agora. Prevê reconhecer que a força feminina e a força masculina dentro de nós, quando equilibradas, podem potencializar nossas missão de agentes transformadores no mundo. Acreditar que não exista polaridades entre o feminino e o masculino, nos leva a entender o quão importante é encontrar nosso propósito pessoal e o quão importante é estarmos conectados ao ambiente, às pessoas e ao planeta.

Portanto, a liderança Shakti possibilita a mudança de consciência humana. Perceber que o seu trabalho gerou impacto positivo é muito engrandecedor, além disso, ao tomar consciência de que a pessoa que você é o líder que você se torna é fundamental para as transformações que você deseja ver no mundo.

Não é a toa que ouvimos falar que este século é feminino. Dizer isso pressupõe acreditar que as forças femininas devem aparecer mais nos negócios. Eu sou de um tempo que falar em vida familiar e amor dentro das organizações era considerado errado. Lembro do meu primeiro emprego, onde meu líder me disse que ali dentro da empresa eu deveria “apenas vestir a camiseta” e que meu problemas familiares deveriam ficar distantes do meu trabalho. É estranho ouvir isso, mas é a pura verdade.

Principalmente para nós mulheres, a vida tende a ser mais tensa porque as forças masculinas sempre regeram o mundo corporativo. A força, a coragem, a assertividade, o foco, a direção, a ordem, estrutura e discernimento são consideradas forças masculinas. Elas não são ruins, pois nos movem à ação, mas quando não estão em equilíbrio, podem se tornar o mundo muito agressivo, arrogante, insensível, sem espiritualidade e violento.

As forças femininas como o cuidado a empatia, gentileza, inclusão, abertura, compaixão, confiança e vulnerabilidade ficaram a parte do mundo corporativo. Sabemos também que o excesso das formas femininas podem também tornar o ser humano mais sentimental, carente, sem foco. O que se sabe é que as forças femininas que, principalmente, as mulheres possuem em abundância, ficaram esquecidas por muito tempo no mundo corporativo.

Esse desequilíbrio gerou empresas que se preocupam muito com o lucro, em uma lógica de comando e controle, deixando de lado todo o potencial inspirador de transformação da união das formas femininas e masculinas.

Acredito que neste momento em que vivemos, essas reflexões começam a fazer sentido e algumas empresas estão tomando consciência que um nível maior de autoconhecimento e equilíbrio entre o nosso lado yin e yang, pode fazer toda a diferença nos negócios. Lideres mais conscientes libertam as pessoas de uma mentalidade predadora e competitiva nos negócios, sendo um papel de transcendência mercantil para um visão de geração de impacto positivos aos negócios e a todo o ecossistema do qual fazem parte.

Acredito que as empresas transformam o país e os líderes são essenciais para realizar esta transformação e curar as empresas de uma visão limitada e mercantilista. Saindo da teoria e indo para a prática, no próximo item apresentarei algumas experiências que tive entrevistando mulheres empreendedoras, dentro de parques tecnológicos do Brasil e da Espanha que corroboram para uma visão prática do modelo Shakti.

3. Elementos práticos na tese de doutorado

Defendi a tese em 2019 e entrevistei mulheres no Brasil e na Espanha. O recorte da pesquisa abarcou, mulheres empreendedoras, de quatro parques científicos do Brasil e da Espanha. A ideia era entender um pouco mais quem eram essas mulheres que decidiam criar suas empresas em ambientes de inovação e empreendedorismo.

O embasamento teórico da tese não foi o modelo Shakti, mas tomando contato com a teoria de Nilima e Raj eu consegui criar conexões importantes com relação aos meus achados de pesquisa.

As entrevistas que realizei com as mulheres demonstraram que, nas pequenas empresas, as mulheres líderes já começaram a revolução de consciência interior. O que pude notar que as mulheres, pelas narrativas discursivas, relataram que querem construir algo maior em suas empresas. Muitas delas, têm o propósito de ajudar também a sociedade, os stakeholders e seus colaboradores. Elas percebem que um sistema de liderança de controle opressivo pode levar as pessoas às doenças e ao stress elevado. Além disso, todas elas querem seguir seus propósitos de vida e impactar a vida de outras pessoas.

Estas pequenas empresas, pela adaptabilidade, flexibilidade e agilidade na tomada de decisão podem contribuir para a mudança do paradigma de entender o mundo dos negócios para além das forças masculinas, tão cristalizadas em nossa sociedade.

A partir da perspectiva de um equilíbrio ente o feminino e o masculino na liderança organizacional, a mulher também pode estar representada nos espaços de gestão, embora saiba-se que essa representação ainda é muito baixa, principalmente quando se fala em ambientes de inovação. O fato é que, as mulheres do Brasil, quanto da Espanha, elegeram compreender a si mesmas, por meio do equilíbrio das energias internas para que pudessem realizar suas atividades mesmo em ambientes de estruturas e paradigmas masculinos.

O desequilíbrio das forças internas favorece a desordem e o caos. Mesmo em um mundo onde acontecem revoluções tecnológicas e econômicas, esse desequilíbrio gera impactos sociais severos e pode impactar negativamente a sustentabilidade do planeta. Estes olhares nos permitem reflexionar sobre nossa liderança organizacional.

A consciência que o modelo Shakti traz às lideranças organizacionais foi validado na minha pesquisa. As mulheres ao se lançarem ao empreendedorismo e à constituição de suas empresas, adquirem essa consciência no fazer laboral, isto é, realizando as atividades com maior amorosidade e generosidade, interagindo com os stakeholders e ressignificando suas próprias histórias além de gerar significado para elas e para suas empresas e sociedade.

4. Conclusão

O realinhamento e o equilíbrio das forças do humano, enquanto processo, tem como meta o desenvolvimento profundo de cada líder, proporcionando o acolhimento de aspectos fundamentais da essência humana. A liderança Shakti trata de um movimento de transformação ao longo da vida, tornando-se melhor e mais próximo da sua natureza e da sua alma. Shakti, neste caso, consiste nesta liberdade que nos torna mais vulneráveis e autênticos em prol da ética individual e coletiva.

Precisamos encontrar no feminino o cuidado com a vida, com as outras pessoas e com o planeta. Shakti é impulsionar cada pessoa a encontrar o seu autoconhecimento, proporcionando seu desenvolvimento e evolução. Os líderes precisam entender que é preciso tocar outras áreas do nosso ser, romper com racional que nos torna tão incompletos. O jardim organizacional está a nossa espera. Quando somente nosso racional fala perdemos o encanto pela vida e por nós mesmos. Cultivemos Shakti em nossos corações e nossas empresas germinarão por meio do Capitalismo Consciente.

Dra Eliane Davila

Embaixadora do Capitalismo Consciente no Brasil

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Fonte: Liderança Shakti. O Equilíbrio do Poder Feminino e Masculino nos Negócios. Starlin Alta Editora Consultores Eireli. 2019