O despertar de uma nova empresa: uma proposta do Capitalismo Consciente

Fiquei pensando sobre como iniciar este diálogo com você.  Fiquei pensando em como encontrar as melhores palavras, as melhores abordagens para inspirar você a olhar o mundo de maneira diferente.

O mundo mudou!

Nós mudamos nossas percepções e nossas maneiras de agir. Complexidades, incertezas e a impossibilidade de realizarmos planejamentos a longo prazo, impactaram nossa maneira de compreender e a entender a economia mundial.

Penso que hoje a sociedade está mais atenta às atitudes das empresas e como elas se relacionam com toda as pessoas que se relacionam com seu negócio.

A perspectiva mais humanizada de uma nova economia passa por um novo jeito de se relacionar no mundo. A jornada das empresas nessa economia mais conscientizada com o próximo, com a sustentabilidade e com seus clientes, colaboradores e fornecedores está mudando. A mentalidade do Capitalismo Consciente está chegando às empresas de forma prática.

As lideranças organizacionais, que se preocupam com as pessoas, permitem um fluxo de interação empresarial que traz transparência, confiança e pertencimento. Uma cultura que deixa fluir o propósito maior do negócio, incorporando todas as crenças e valores que vão muito além do lucro, vão construindo as novas premissas econômicas da atualidade. Não há mais espaço para empresas que apenas querem ganhar dinheiro. Isso me leva a crer em uma economia que realmente faça conexões profundas entre todos os stakeholders, propondo realmente uma transformação no modo de agir nas organizações. Nessa proposta, a empresa que se relaciona deve tomar decisões alinhadas com esses stakeholders, promovendo um ganha-ganha para todos os envolvidos.

Percebo que a ciência economia, além de analisar a produção, distribuição e consumo de bens e serviços, deve voltar-se às relações em que essas práticas ocorrem nas empresas. As pessoas são a potência de qualquer organização e é, a partir delas, que as transformações ocorrem. O nível de consciência de cada empresa dependerá do nível de consciência que cada organização.

As empresas que superarem o paradigma de apenas ganhar dinheiro, proporcionarão grandes revoluções internas e externas. O que quero dizer é que estas organizações estarão em sinergia com a sociedade e com o planeta. Os clientes e fornecedores perceberão em cada colaborador, o verdadeiro propósito da empresa.  Essa mentalidade trará maior credibilidade às empresas e maior interação social. Penso que as empresas são espaços de desenvolvimento e o trabalho pode ser a chave para mudanças incríveis. A articulação de todas as partes fará total diferença para a construção de um ecossistema voltado ao coletivo, e com isso, as empresas serão também protagonistas de transformações econômicas e sociais, alinhadas às premissas de sustentabilidade, amor e rentabilidade como consequência de tudo isso.

Ajustar a rota, eu diria, é despertar para um novo começo onde veremos as formas de se relacionar com as pessoas e com o planeta serem ressignificadas pelas próprias empresas. A ideia aqui é que este despertar comece primeiro dentro das organizações, buscando incorporar, na prática, as premissas de um trabalho mais humanizado.

Dizer-se ser uma empresa que despertou para o humano é congregar com as competências de autoconsciência,  integridade, flexibilidade cognitiva, comunidade empática, inteligência relacional, criatividade, influência inspiradora, valor compartilhado e  amor por servir.

Venha fazer parte dessa comunidade que está libertando o capitalismo. Nosso papel é reduzir as lacunas da desigualdade que este sistema deixou, durante anos no mundo. Agora é a hora de sermos protagonistas desse despertar para o mundo dos negócios.

#capitalismoconsciente #novaempresa #mudança #mundodosnegocios #proposito #integridade #empatia #pessoas

Eliane Davila

Embaixadora Certificada do Capitalismo Consciente

Presidente da Associação de Administradores do Vale do Sinos

Pesquisadora da ARF Média e da Coffee and Work.

PhD em Processos e Manifestações Culturais

O que é Capitalismo Consciente?

Neste texto você vai encontrar informações sintetizadas do Movimento do Capitalismo Consciente. Falarei sobre a origem, os pilares principais, sobre informações sobre o manifesto, sobre minhas percepções sobre o movimento e como você pode se associar no Brasil.

“Imagine todas as pessoas
  Vivendo a vida em paz
  Você pode dizer
  Que sou um sonhador
  Mas não sou o único Tenho a esperança de que um dia
  Você se juntará a nós
  E o mundo será como um só” (Imagine, John Lennon)

Capitalismo Consciente Brasil
Capitalismo Consciente Brasil – Fonte: https://www.ccbrasil.cc

Introdução

Iniciar um texto com um trecho da letra da música Imagine parece um tanto incomum quando se fala em organizações.

Vivemos em um mundo de transformação onde novas formas de relações humanas parecem trazem emoção e sensibilidade aos ambientes corporativos.

Imaginar uma forma mais humana de vivenciar o capitalismo criando ambientes mais solidários e inclusivos, além de buscar o bem-estar de todos e contribuir, de forma sustentável, para sociedade e o planeta já é uma realidade.

 Depois de mais de 20 anos no mundo corporativo, minha passagem pelo mundo acadêmico e minhas pesquisas no doutorado, contribuíram para que eu  buscasse alternativas para a construção de ambientes organizacionais mais humanizados. Isso para mim sempre muito importante em toda a minha trajetória profissional.

Percebi, ao longo da jornada da vida que estamos sempre em movimento e que estar aberto ao novo pensar pode ser transformador e ao mesmo tempo, libertador.  

Rotulada, muitas vezes, por ser sonhadora e acreditar em valores que iam além do lucro, segui em frente, mesmo sabendo que as rotas eram repletas de obstáculos. Toda a jornada me fez mais forte, não tenha dúvida!

Assim, como um fluxo de um rio, vamos deixando fluir nossa essência e nos aproximando de pessoas, criando comunidades unidas por valores e crenças comuns. Dento da riqueza da diversidade humana encontramos elos que nos aproximam uns dos outros, o que chamo aqui de amor pela vida.

Assim, eu inicio a contextualização sobre o que é o Capitalismo Consciente!   

1. O que é Capitalismo Consciente?

O Capitalismo Consciente é uma forma de praticar uma condução prática às organizações que gera, simultaneamente, diferentes valores para os  stakeholders, tais como o financeiro, ecológico, social, cultural, emocional, ético e espiritual. É uma visão mais ampla da responsabilidade das organizações para transformar o mundo. Estamos vivendo um mundo de desigualdades e precisamos assumir, como líderes conscientes, o protagonismo dessas transformações necessárias para diminuir as lacunas sociais que o capitalismo tradicional gerou, até então, no mundo.

2.   Qual a origem do Capitalismo Consciente?

O movimento global do Capitalismo Consciente surgiu nos Estados Unidos, a partir de estudos acadêmicos de Raj Sisodia, Jaf Shereth e David Wolf. A ideia inicial das pesquisas foi investigar como algumas empresas conseguiam manter a alta reputação e a fidelidade dos clientes sem grandes investimentos em marketing. Em 2007 com a contribuição de Mackey, o estudo evoluiu para o livro “Firms of Endearment”, traduzido no Brasil com o título de “Empresas Humanizadas”, onde a proposta central era mostras como as empresas lucram a partir de paixão e propósito.

Assim, iniciava-se o movimento como organização formal em 2010. No Brasil, em 2013, o Capitalismo Consciente tomou-se mais conhecido, pois alguns empresários perceberam a importância da transformação da cultura de seus negócios, aderindo às práticas relacionadas à sustentabilidade ambiental, social e econômica.

Vivemos em um mundo tão acelerado que, às vezes não paramos para pensar em outras forma de imaginar a vida, retomando a letra da música de John Lenon, mas em vários locais do mundo, existem pessoas comprometidas com a transformação de pessoas e das organizações.  O capitalismo Consciente é uma filosofia de gestão de negócio pautado em 4 pilares:

3. Pilares do Capitalismo Consciente

Vou descrever um pouquinho cada um dos pilares para você entender melhor:

  • Propósito Maior: muito mais que gerar lucro, o propósito abarca questionamentos sobre a existência da empresa no mundo. Qual o legado que queremos construir em nossas organizações?

O propósito maior é a aglutinar que mantém a empresa unida, o líquido amniótico que nutre a vida de vida a força organizacional. O propósito também pode ser um ímã que atrai as pessoas para o negócio, mantenho-as alinhadas. A busca do propósito geralmente inicia desde a empresa nasce. O que acontece é que, muitas vezes, é difícil de tornar explícito, mas normalmente as empresas já possuem uma finalidade tácita a motivar a motivar a criação do empreendimento. Aos poucos, na jornada empreendedora, os fundadores vão tomando consciência da sua razão de ser.

Para que empresas e pessoas possam desfrutar de um maior senso de realização, a expressão de um propósito necessita constar não somente na mente, mas também no coração e, principalmente, nas decisões e ações implementadas dia a dia.

Um dado importante é percebermos que agir de acordo com um propósito exige responsabilidade , ousadia e mudança de hábitos. A jornada nos impulsiona a nos questionarmos sobre o que estamos fazendo e construindo.

  • Cultura Consciente: é a incorporação de valores e práticas abarcadas pelas empresas e que conectam os stakeholders ao seu propósito, às pessoas e aos processos.

Acredita-se que a cultura representa o espaço onde reside a riqueza e a complexidade das pessoas e onde o aspecto humano tem infinita relevância. Dessa forma, pode-se dizer que a cultura é poderosa dentro de cada organização e, além disso, pode-se afirmar que não existe uma única cultura, mas uma mescla de culturas que se entrelaçam dentro da organização.

As culturas fortes dentro da organização apresentam senso de confiança, de responsabilidade, de cuidado, transparência, integridade, lealdade, igualdade.

As culturas organizacionais favorecem a descentralização, modificam o papel dos gestores, elevam a inteligência do grupo, gerando maior autonomia e inovação.

  • Liderança Consciente: lideranças que gostam de servir ao propósito da organização e criando uma cultura de confiança e cuidado entre os stakeholders, clientes e colaboradores.

A organização é um coletivo de pessoas que busca um objetivo comum para fazerem as transformações em si mesmos e contribuir para que o propósito comum permaneça vivo durante a jornada.

As lideranças são fundamentais neste sentido, entendendo, de forma mais abrangente que liderança é toda a pessoa que, independente do cargo que possui, influencia pessoas .

A liderança é muito mais que gestão, pois além da eficiência e implementação de ações, os líderes assumem um papel de agentes transformadores e com uma visão sistêmica ampliada do todo. O nível de uma liderança consciente tem estreita relação com a consciência individual de cada líder dentro da empresa.

Comenta-se também que para este líder mais consciente temos uma abordagem mais abrangente para o desenvolvimento das inteligências pessoais, tais como a inteligência emocional, espiritual, sistêmica e servidora. Sugere-se desenvolver uma capacidade de amar e cuidar, coisa que parecia muito distante do mundo trabalho.

  • Orientação para Stakeholders: negócios que geram valor para todas as partes interessadas (Stakeholders).

Trata-se de entender este novo modelo de relacionamento com os parceiros, clientes, investidores, fornecedores e todos os que se relacionam com seu negócio. Acredita-se que olhar as relações de negócio com o espírito de “ganha ganha” torna nossa empresa mais rentáveis e colaborativas.

A elevação do nível de consciência de cada empresa, leva à construção de ações voltadas ao social, ambiental e à comunidade local. A visão mais ampliada de desenvolvimento coletivo e de cuidado com as pessoas e com o planete m prol da redução das desigualdades.

4. Manifesto

Vou deixar aqui uma imagem que sintetiza, em um pequeno parágrafo, o manifesto desta filosofia apoiado nos pilares que vimos anteriormente. O manifesto está no site do Capitalismo Consciente Brasil.

capitalismo consciente: manifesto
capitalismo consciente: manifesto

5. Por que eu sou embaixadora do Capitalismo Consciente?

Pertencer ao movimento do capitalismo consciente é um orgulho para mim porque encontro nele uma perspectiva de desenvolvimento humano nas organizações.  Não é uma seita, uma religião, apenas uma comunidade que por meio de valores que primam por uma gestão mais humana, ética e sustentável para reduzir as desigualdades. É um movimento que evidencia uma nova forma de investir e fazer negócios no Brasil, gerando valor à empresa, à sociedade e ao planeta.

Diversos estudos e pesquisas vem demonstrando, com dados quantitativos que não estamos falando em utopia, mas uma realidade possível que traz prosperidade, engajamento e rentabilidade às empresas.

Junte-se a este movimento que conecta pessoas e organizações que buscam transformar nosso país em um lugar mais harmonioso e receptivo que valoriza o ser humano, as empresas, a sociedade e todo o planeta.

Finalizando este texto, convido a todos a compartilharem suas jornadas individuais e coletivas, ressignificando o modelo do capitalismo tradicional, onde impera apenas o lucro, em busca de um capitalismo mais humanizado. Junte-se a este movimento.

6. Como eu faço para ser associado do Capitalismo Consciente? Quais as vantagens de ser um associado(a)?

Associar-se é um movimento que você faz rumo à evolução da consciência humana. Você pode associar-se como pessoa física e também como pessoa jurídica. Existem diversas formas de estar em contato com o Instituto, visto que o trabalho principal do Movimento Capitalismo Consciente vem ao encontro de sensibilizar para a necessidade da nossa elevação de consciência humana para a geração do bem.

As organizações associadas ao Instituto se identificam, de forma voluntária ,com os pilares do Capitalismo Consciente e somam esforços em nossa comunidade para transformar o jeito de fazer investimentos e negócios no Brasil, para diminuir as desigualdades.

O Capitalismo Consciente não certifica empresas, mas busca sensibilizar e instrumentalizar as lideranças que tomam as decisões e efetivamente contribuem para uma prática de negócios mais consciente.

Dentre as prinicipais vantagens em associar-se estão:

Benefícios

  • Acesso ao selo para uso em assinaturas de e-mail e cartões de visita.
  • Conteúdo online quinzenal.
  • Descontos em livros livro.
  • Acesso ao drive do ICCB com apresentação institucional ( Emb. 3)
  • Acesso aos eventos mensais presenciais gratuitamente. ( Emb. 3)
  • Aplicação de logo em nosso quadro de associados. ( Empresas)
  • Acesso ao Fundo de incentivo e aceleração do ICCB. ( Empresas )

Associe-se!

7. Onde eu encontro os livros do Capitalismo Consciente?

Os livros do capitalismo consciente são opções para você entender um pouco mais sobre o movimento do capitalismo consciente de forma prazerosa por meio da leitura de uma abordagem inspirada nos pilares do movimento CC. Brasil. Para comprar os livros, você pode acessar este Link.

Minha biblioteca do Capitalismo Consciente
Minha biblioteca do Capitalismo Consciente

Caso você tenha interesse em saber mais sobre o CC Brasil, é só fazer contato comigo ou com o Instituto CC Brasil.

Conclusão

O movimento Consciente é, ao meu ver, uma forma de pensar e agir com espírito do bem. Estou aqui, escrevendo sobre esta comunidade que não acredita mais neste capitalismo selvagem que traz desigualdades. Estamos em comunidade justamente para fazer essa revolução acontecer. Acreditar em um mundo melhor, principalmente no Brasil, é o que precisamos para avançar em uma cultura mais humanizada e em ações econômicas que nos tragam resultados, mas acima de tudo, cultivem o amor e o propósito deste legado de ser agentes de transformação de nosso tempo. Nossas empresas são fundamentais para que possamos acelerar essa transformação e evolução de nossa sociedade.

Dra. Processos e Manifestações Culturais

Embaixadora Certificada do Capitalismo Consnciente Brasil.

Mentora de Negócios e Carreiras

#capitalismoconsciente #humanizadas #transformação #novomodelo #negócios # Raj Sisodia #Brasil # David Wolf # Jaf Shereth #pilares #manifesto #associar-se

Fonte: https://www.ccbrasil.cc

Conexões e parcerias no trabalho

Quando terminei meu doutorado, percebi que precisava pertencer novamente a um cicilo de pesquisa que me permitisse comunicar minhas ideias em forma de compartilhamento de informações e pensamentos.

Estou participando de dois projetos muito legais como pesquisadora. Um deles é vinculado à área de projetos e tecnologias, na corporação ARF Média . O projeto permite a busca de conhecimento na área de tecnologia e inovação, além de poder agregar e contribuir com projetos estratégicos de parcerias e conexões internacionais para fortificar a internacionalização da organização.

Outro projeto que faço parte é o projeto Coffee And Work. O projeto Coffee and Work nasceu em janeiro de 2019 com dois propósitos: divulgar achados científicos e instigar um olhar ressignificado ao trabalho. Entre as iniciativas está a Plataforma de Pesquisadoras, que reúne mulheres pesquisadoras por meio de contribuições sob diferentes enfoques. Nesse sentido, vamos avançando com o propósito de agregar pessoas, construir e compartilhar conhecimento.


Na PlataformaCoffee and Work, você poderá encontrar textos meus que falam sobre pesquisa, empreendedorismo, a participação da mulher no mercado de trabalho, inovação e tecnologia. Minha vivência interdisciplinar permite que eu transite pelos diversos campos do conhecimento acadêmico e empresarial. Minha carreira profissional me deu a experiência do dia a dia. Experiência do mercado e de como as empresas se organizam culturalmente e como as pessoas se relacionam nestes ambientes organizacionais. Além disso, a tenho a experiência da academia, que me preparou para ter um olhar mais crítico frente à sociedade e ao mundo corporativo.

Além disso, tenho me engajado em movimentos associativos como a Associação de Administradores do Vale do Sinos, a AVS, onde atualmente sou presidente, buscando mostrar a importância da nossa profissão no meio corporativo.

Outro projeto que me identifico e participo é o Grupo Mulheres do Brasil, protagonizado pela Luiza Helena Trajano, com o objetivo de pensar em ações que favoreçam o crescimento do país e o respeito às mulheres no que tange às iniciativas para fomentar o empreendedorismo, a saúde e a educação de todas as mulheres brasileiras. O movimento acontece por meio de núcleos nas principais cidades do país e no exterior.

Não poderia deixar de comentar sobre o projeto Aceleradora de Mulheres, da Federasul que também participo no Rio Grande do Sul- RS. Este projeto é educacional para fomentar o empreendedorismo feminino no RS. Os encontros são uma vez por mês com a participação de mulheres de todo o estado. Foram realizadas diversas visitas técnicas pelo RS, onde podemos conhecer a realidade de muitas mulheres empreendedoras e seus empreendimentos. Este ano, vou participar como uma das mentoras no projeto. O ano de 2020 promete transformador.

9º Foro Europeo para la ciencia, tecnologia e innovación – Transfiere

No dia 12 e 13 de fevereiro de 2020, eu particicpei do 9º Fórum Europeo para a ciência, tecnologia e innovação (Transfiere), em Málaga, na Espanha. Esta é a segunda participação que eu tenho neste evento. No ano passado, eu participei para conhecer como funcionava e neste ano, já com detalhe, pude aproveitar mais o evento.

Trata-se de um fórum profissional e multissetorial de transferência de conhecimento e tecnologia realizado na Espanha e mostra quem é quem no ecossistema nacional e internacional de P&D.

A Transfiere é um espaço único para  impulsionar a inovação entre grupos de pesquisa e empresas , além de  contribuir para melhorar a competitividade do setor de negócios . Ser parte ativa da Transfiere nos permite  gerar contatos de interesse, sinergias e intercâmbio de conhecimentos  no campo da inovação, pesquisa e transferência de conhecimento nos diferentes setores estratégicos da economia.

Sectores estratégicos envolvidos foram:

  • Administrações públicas
  • Aeronáutica e Aeroespacial
  • Agroalimentar
  • Grupos de negócios inovadores
  • Energia
  • Financeiro
  • Indústria
  • Infraestruturas e Transportes
  • Meio Ambiente
  • Plataformas Tecnológicas Espanholas
  • Saúde
  • Serviços
  • TICs

Minha motivação ao participar desse fórum foi entrar com contato com diversas áreas de conhecimento, onde o governo espanhol, as universidades, as empresas privadas e os cidadãos e cidadãs interessados na divulgação e transferência de conhecimento.

As palestras ocorrem todas em um em mesmo espaço de transferência de conhecimento. Cada área ou ponto é representado por uma cor e, a partir disso, você escolhe a palestra que deseja assistir.

Uma das palestra que mais me chamou a atenção foi a que ocorreu no dia 13, intitulada Coloquio Talent Woman: La mujer en el ámbito de la innovación que teve como temática a mulher nos ambientes de inovação. As palestrantes convidadas foram as seguintes:

Em outra oportunidade eu vou falar mais sobre essa palestra, pois a temática é maravilhosa e tem relação com a minha tese . As palestrantes convidadas foram excepcionais no que tange ao conhecimento da temática.

Outra palestra que eu achei super interessante foi a ENRICH in Brazil – European Network of Research and Innovation Centres and Hubs , onde Laura Monasterio apresentou com muita competência as possibilidades de investimentos no Brasil.

Por ter realizado uma parte dos meus estudos dentro do Parque Tecnológico de Andalucia, na Espanha, compartilho também mais uma palestra exemplar realizada por Soledad Diaz, Directora Gerente de la Asociación de Parques Científicos y Tecnológicos de España (APTE) . Conheço o trabalho competente que eles vem realizando no Parque Tecnológico de Andalucia, mas também em todos os Parques Tecnológicos da Espanha.

Além dessas palestras maravilhosas, o fórum também permitiu networking entre diversos tipos de empresas e institutos. Eu fiquei encantada porque no Brasil, não estamos acostumados a ver esse tipo de iniciativa onde a hélice quádruple é percebida na prática de um evento.

A ´´ultima palestra que gostaria de destacar foi a Innovation Radar. Proyecto Merlin 2020: Romper el molde, desatar la próxima generación de investigadores , que eles debateram sobre a perspectiva do investigador acadêmico no mercado empreendedor. Essa palestra foi absolutamente fantástica e vou falar sobre ela em outra oportunidade também. Os palestrantes foram estes:

O evento foi muito legal pelas conexões que pude fazer com os painelistas e também pela oportunidade de apresentar os resultados de minha tese para o Parque Tecnológico de Andalucia. Obrigada a Aline Daniel, responsible for international projects at Parque Tecnológico de Andalucía (PTA) pela atenção recebida.

O evento Transfiere ocorreu com a participação de um país convidado que foi, neste ano o Canadá.

Por que é interessante participar do fórum transfiere?

Rede, transferência, cooperação e internacionalização são os pilares fundamentais da Transfiere. Os participantes, entidades públicas e privadas, têm a oportunidade de:

  • Estabeleça contatos B2B por meio de uma agenda de rede on-line, que permite fechar até 32 reuniões antes do evento.
  • Dinamize a ciência e a inovação espanhola internacionalmente:  compartilhe o conhecimento de grupos de pesquisa de universidades, IPOs e centros de tecnologia.
  • Estabelecer alianças estratégicas e sinergias.
  • Divulgar produtos, serviços e projetos inovadores, além de atender à demanda tecnológica de empresas nacionais e internacionais que investem em P&D.
  • Conhecer as necessidades tecnológicas da Administração Pública.
  • Desafios tecnológicos: encontrar soluções inovadoras e oportunidades de negócios para os diferentes setores estratégicos da economia.

Palestra no Espaço Novos Saberes

A importância da mulher nos espaços de inovação e empreendedorismo foi a temática da palestra que eu realizei no dia 08.01.20 no Espaço Novos Saberes, em Campo Bom , RS . Confesso que fiquei impressionada com tamanha receptividade das anfitriãs Elisa Helena Strack e Karen Elias. O espaço foi constituído para proporcionar aos participantes um encontro intimista, onde todos podem participar ativamente na palestra, tornando o encontro mais acolhedor e transformador para todos os envolvidos.

Minha fala veio ao encontro da busca das mulheres em conquistar seus sonhos por meio do empreendedorismo. É incrível perceber que, embora todas as diferenças de vida de cada ser humano, todos e todas nós buscamos conquistar nossos sonhos e impactar pessoas com nosso trabalho.

Ás vezes eu percebo que o meio acadêmico e o meio empresarial possuem algumas lacunas. O que quero dizer é que a sociedade, de forma geral, não entende o que os pesquisadores realizam na academia. Neste encontro, pude trazer minha experiência na construção da minha tese intitulada Mulheres Empreendedoras em Parques Científicos e Tecnológicos: a construção discursiva de imagens de si na Espanha e no Brasil.

A ideia principal foi mostrar que o meio acadêmico pode ajudar a sociedade de alguma forma. Meu trabalho de tese possui um cunho social também. A tese propõe a reflexão  para a construção de uma maior visibilidade e representatividade da mulher nos ambientes de inovação e empreendedorismo. As mulheres são essenciais para estes ambientes. Ignorar o gênero feminino é ignorar a ideia de inovação como possibilidade de construção de sociedades mais justas e sustentáveis.

Inovar é uma tarefa que o mundo moderno nos impõe com tanta força e impacta diretamente a permanência e sobrevivência de nossos negócios. Vivemos um mundo global, onde temos que concorrer com o mundo inteiro. É fundamental que tenhamos condições de mudar e melhorar nossos produtos e serviços para a manutenção de nossas empresas. Sabemos que o Brasil é um país muito difícil para empreender, pois não temos incentivos do governo, não temos condições de fomento de crédito adequados e além disso, nosso país, na minha opinião, ainda vive à margem dos grandes centros inovação do mundo. Sabemos que grande parte nossa tecnologia vem de outros países e que o Brasil enfrenta muitos problemas da área da educação e saúde.  

Posso dizer que as mulheres e homens que decidem empreender no Brasil são heroínas e heróis porque a burocracia e todos os entraves existentes para quem é empreendedor no país.

As mulheres, além dos entraves econômicos, conta com toda as dramáticas sociais de ser mulher. O que quero comentar, nesse caso, é que a mulher durante muitos séculos estava à margem do espaço público. Elas estavam na neblina, ofuscadas pela baixa representatividade no mundo do trabalho. Neste século, as coisas estão mudando e as mulheres estão conquistando seus espaços de fala e de expressão no trabalho, principalmente por meio do empreendedorismo feminino. Porém, sabemos que nem tudo são flores, mas elas estão se lançando a novos desafios e a novas possibilidades de autoconhecimento para desfrutarem de uma vida com maior autonomia e liberdade.

No Espaço Novos Saberes, percebi que aquelas mulheres estão construindo suas relações de contatos e que por meio deles, elas estão descobrindo que podem mudar suas vidas e suas  escolhas. Não importa a idade, a classe social, a profissão que escolham, o momento atual é nosso, pois o mundo está aberto à força feminina.

Nascemos de um homem e uma mulher, com isso, temos forças femininas e masculinas como seres humanos. Por muito tempo, as forças masculinas dominaram nossa sociedade, mas agora, com o passar do tempo, estamos descobrindo que a força feminina vai transformar o mundo. A ideia é que a sociedade recupere o equilíbrio entre as forças masculinas e femininas.

Sabemos que quando a mulher está gerindo suas empresas , ela não pensa apenas em si . Ela pensa nos filhos, no marido na família inteira. Mulheres gerindo seus próprios negócios são capazes de elevar o PIP do país. Além disso, existem estudos que comprovam que as empresas geridas por mulheres são mais rentáveis.

Não há dúvidas que as mulheres devem estar presentes em todas as áreas profissionais, inclusive as profissões relacionadas às carreiras STEM, isto é ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Atualmente, existem estudos que acrescentam as áreas de artes e arquitetura também como áreas importantes para a inovação, recebendo a sigla de STEAM. Dessa forma, acreditar em transformações sociais e econômicas sem a mulher é desperdiçar a metade da população do planeta.

Sabemos que as questões de gênero são, muitas vezes, deixadas de lado porque estamos falando das relações de poder que são atravessadas pelos assuntos de gênero.  As mulheres não querem se impor aos homens, elas querem trabalhar junto com os homens. As mulheres querem acesso ao mundo corporativo sem entraves, sem barreiras e sem discriminação. Sabemos que o trabalho não remunerado, aquele trabalho que é realizado dentro da casa, limpeza, compras, cuidar dos filhos, são reconhecidos como trabalho de mulheres, quando o marido também é responsável pelo lar, pelas crianças, pelas limpezas.

O trabalho não remunerado, é um entrave forte nas questões  femininas quando falamos em empreender com um negócio próprio ou intraempreender dentro de uma grande empresa. Este fato, na minha opinião, deve ser discutido dentro de casa, envolvendo o companheiro e toda a família. A mulher não precisa assumir estas atividades sozinha.  Uma conversa entre o casal pode ser transformadora nesse sentido. A criação que damos aos nossos filhos homens também ganha impacto, pois se criarmos meninos com uma nova mentalidade de união e parceria, as gerações futuras serão beneficias e a mulher poderá lançar voos muito altos no empreendedorismo, tendo tempo para inovar, fazer networking, realizar treinamentos e tudo mais.

Além disso, percebo que as mulheres devem buscar posições de liderança, quando desejarem, e dessa forma, terem as mesmas condições que os homens de dar o seu melhor no trabalho. A atividade de trabalho é uma atividade de desenvolvimento humano e de expressão identitária.  Compreender que empreender é para homens e mulheres é o início de uma revolução econômica e social.

Foto com as participantes do encontro.
Sorteio do livro Momento de voar de Melinda Gates a uma das participantes
Karen Elias, Eliane Davila e Elisa Helena Scrack.